Osvaldo tem 68 anos e voltou a varrer rua ano passado, quando cortaram quase metade da aposentadoria dele.
Ele foi gari dessa cidade por 35 anos. Achou que tinha terminado, mas não terminou.
Osvaldo tem um neto chamado Davi, ele precisa de cuidados todo mês.
A filha faz faxina e paga a casa. Os cuidados do Davi, quem paga é o avô. Se ele parar, o menino fica sem.
Só que ficar o dia inteiro no sol começou a cobrar. O braço dele tá tomado de mancha escura. O peito vive vermelho. E tem ferida que não fecha.
É do tipo que avança rápido, e enquanto ele não sair do sol, o tratamento não segura.
Sair do sol. Osvaldo ouviu isso e ficou em silêncio. Porque é do sol que sai os cuidados do Davi.
Ele voltou pra casa naquele dia e conversou com Deus uma coisa que não contou pra ninguém: que não deixasse faltar os cuidados do menino, que dele, ele cuidaria depois.
Faz meses que esse "depois" não chega. Cada semana debaixo do sol, a ferida anda mais um pouco.
E o tratamento custa mais do que quem vive de vassoura e faxina consegue juntar.
Osvaldo passou 35 anos varrendo rua, nunca pediu nada para ninguém. Hoje, pela primeira vez, ele precisa de algo, pelo Neto.
Aqui embaixo é onde essa história pode começar a mudar: